Texto Claudia Dias | Adaptação Web Evelyn Cristine

Aos 89 anos, Laura Cardoso conta o que ainda a encanta na TV de hoje em dia

Em tempos de celebridades efêmeras e do culto exacerbado à beleza, ver Laura Cardoso completando 89 anos, é uma inspiração para qualquer um. E vê-la atuando – e bem – na pele da vilã dona Sinhá, de Sol Nascente, é uma verdadeira aula de dramaturgia para os mais jovens. “Trabalhar ao lado de dona Laura é uma honra e um grande aprendizado. Só de vê-la atuando, já aprendo muito”, destacou Rafael Zulu, que na trama de Walther Negrão é um dos fiéis escudeiros da personagem.

Os elogios recebidos em cena ou fora dela, no entanto, não mexem com o ego da atriz, que esbanja simpatia, disposição e bom humor. Ela não sai do sério nem com boatos maldosos, como a notícia que saiu no início do ano, confirmando a sua morte. “Fiquei chateada, mas depois dei até risada. Estou firme e forte. Eles matam a gente sem mais nem menos. Acho isso de um mau gosto, uma lata de lixo...”, disse ela, na época, referindo-se aos internautas.

Confira o nosso batepapo exclusivo com a atriz, Laura Cardoso!

São 89 anos muito bem vividos. A senhora é uma das poucas atrizes que não fizeram plástica. Como avalia o culto excessivo pelas cirurgias e tratamentos estéticos contra a idade?
LC: Realmente, não fiz nada. Mas, isso é pessoal. Amo o meu rosto, as minhas rugas, me amo como eu sou! Vou morrer assim, sem mexer em nada. Eu já fui lindinha, bonitinha, gostosinha, mas a vida segue e você tem que aceitar. Acho muita burrice querer mudar o exterior. E o interior, como é que fica? Eu não sou contra a plástica. Acho importante, sim, as intervenções que corrigem alguma coisa, mas essa que você faz para se embelezar, para fazer a boca e tal, acho um horror!

Outra coisa que tem impressionado é a quantidade de novos atores e a busca desenfreada pela fama. Como vê o atual momento e essa nova geração que só pensa em virar celebridade?
LC: Vejo isso com um péssimo olhar. Acho lamentável e quem pensa assim não tem que ficar nessa profissão. Ser ator é algo muito sério. A pessoa tem que se dedicar de corpo e alma, principalmente, se você quer ser um profissional de verdade. Hoje em dia todo mundo quer ser ator e sem estudar! Isso é terrível, não tem resultado, nem qualidade. Tem uns que não sabem nem ler! A profissão precisa de estudo, de cultura, de escola...

Aos 89 anos, Laura Cardoso conta o que
ainda a encanta na TV de hoje em dia

O que ainda encanta a senhora na TV de hoje em dia?
LC: Ai, meu Deus! Difícil, viu? Pouca coisa. Pouca coisa mesmo! Eu sou uma pessoa perfeccionista demais. Sou exigente no sentido do trabalho, da qualidade. Acho que a televisão perdeu muita coisa, não avançou. Talvez ela tenha avançado tecnologicamente, mas no sentido humano, acho que regrediu.

O canal Viva está reprisando 'Mulheres de Areia'. Você ainda sente a repercussão desse trabalho?
LC: Muita repercussão, sim, graças a Deus! As pessoas me param nas ruas até hoje. Sou muito elogiada. Pra mim, essa novela foi muito bem feita, bem dirigida e fez muito sucesso. Foi gratificante fazer esse trabalho, gostei demais.

E você gosta de se assistir no vídeo, principalmente em trabalhos mais antigos?
LC: Gosto de me assistir para me corrigir. Tenho uma autocrítica terrível e sempre percebo que algo poderia ter sido melhor (risos).

Qual o balanço que você faz das tramas atuais? Muita gente comenta em relação à violência. Como analisa isso?
LC: Acredito que o público precisa ser respeitado. Isso é o mais importante. A vida já é uma coisa dura, difícil, e a televisão precisa amenizar um pouco isso. Lógico que você precisar mostrar a violência e tudo mais que existe no mundo real, porém, precisa ter certo cuidado em relação ao horário, principalmente.

A senhora completou recentemente 89 anos e cheia de vitalidade. Qual é o segredo para se manter assim?
L.C: O que eu faço é andar. Andar é muito bom para qualquer um. Não tenho nenhum cuidado especial com a alimentação. Tenho, sim, cuidado comigo. Outro dia me perguntaram o que eu faço para me manter tão tranquila. Respondi: ‘nada!’ Prefiro sempre ver o lado bom da vida!

Após anos de carreira, pensa em se aposentar?
L.C: Não! Eu amo o meu trabalho, a minha profissão. É minha vida! De jeito nenhum penso em parar.

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