Texto Núcia Ferreira
Francisco Cuoco
(Foto: TV Globo)
Filho de um feirante italiano, Francisco Cuoco trabalhava durante o dia com o pai na feira e à noite estudava, buscando uma profissão estável. Começou a estudar Direito, mas, ao entrar em contato com a Escola de Arte Dramática de Alfredo Mesquita, decidiu ser um profissional de dramaturgia. Abandonou os estudos de leis e códigos entregando-se à vida artística. Seguindo sua vocação, Francisco Cuoco estreou no teatro em peças do Teatro Brasileiro de Comédia e depois atuou pela companhia Teatro dos Sete, trabalhando com diretores como Alberto D’Aversa, Gianni Ratto, Fernando Torres e atores como Ítalo Rossi, Fernanda Montenegro,
Carminha Brandão, entre outros.
Seu primeiro protagonista no teatro foi com o personagem Werneck, de O Beijo no Asfalto, Nelson Rodrigues, em 1961, com direção de Fernando Torres. Em 1964 foi premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor  ator coadjuvante na peça Boeing-Boeing. Com tanto talento, não tardou a entrar para o núcleo de dramaturgia da TV brasileira. Sua primeira telenovela foi Renúncia, escrita por Walter Negrão, levada ao ar em 1965 pela Record, na qual já estreou como protagonista, ao lado da atriz Irina Grecco. A partir daí, Cuoco foi emendando um trabalho atrás do outro, sempre revestido da aura de galã dos sonhos das telespectadoras, posto dividido na época com Carlos Zara, Tarcísio Meira e Hélio Souto. Participou de tramas na Rede Tupi e, principalmente, na TV Excelsior, onde viveu o Dr. Fernando, protagonista de Redenção, a telenovela que até hoje mantém o recorde de permanência no ar, com 596 capítulos exibidos ao longo de dois anos. Ainda teve posição de destaque no enredo de Sangue do Meu Sangue, exibida em 1969. Em 1970, o ator estreou na Globo no folhetim Assim na Terra como no Céu, de Dias Gomes, onde viveu o protagonista Vítor Mariano, um padre que abandona a batina para se casar e tem seus planos frustados pela morte da noiva.

Francisco Cuoco em 'Amazônia'
(Foto: TV Globo)

A partir daí, fez sucessivos trabalhos que levaram a assinatura de Janete Clair, a qual o tinha como um de seus atores preferidos. Para Cuoco, Janete criou o Cristiano de Selva de Pedra, o jornalista Alex de O Semideus, o taxista Carlão – trabalho muito elogiado de Cuoco na primeira versão da novela Pecado Capital –, o misto de mocinho e vilão Herculano de O Astro, o ambicioso Tião Bento em Sétimo Sentido e o político Lucas em Eu Prometo. Depois de muitos anos afastado dos palcos, por causa do trabalho intenso na televisão, Cuoco voltou com a comédia de Rodrigo Murat, Os Três Homens Baixos, em 2004. Depois seguiram-se outras comédias – O Último Bolero, de João Machado, Circunscisão em Nova York, de João Bethencourt e Deus é Química, de Fernanda Torres. Em 2007, o ator fez uma participação especial no seriado Toma Lá, Dá Cá e participou do programa especial de fim de ano da Globo Casos e Acasos. No ano seguinte, em uma homenagem do autor Aguinaldo Silva e do diretor Wolf Maya, Francisco Cuoco vez uma participação especial na novela Duas Caras, fazendo o papel dele mesmo. No mesmo período integrou o
elenco da novela Negócio da China, de Miguel Falabella e, logo depois, Passione, de Sílvio de Abreu.
Francisco Cuoco como Herculano Quintanilha
(Foto: TV Globo)
Revivendo um folhetim
Depois de fazer sucesso como Herculano Quintanilha em O Astro, Francisco Cuoco esteve no elenco do remake do folhetim de Janete Clair. O ator voltou a história para dar vida para Ferragus, personagem especialmente criado pra ele, que serve como o grande mentor do protagonista da trama. “Eu senti um sucesso estrondoso. As pessoasficavam magnetizadas. Adoravam aquela coisa do turbante. Ao mesmo tempo em que tinha uma coisa verdadeira, quase de vidente, tinha uma coisa de picaretagem, uma mistura muito interessante salpicava a obra de Janete Clair”, recordou Cuoco, que defende os remakes. “Os remakes são alternados. Nunca tem mais de um no ar ao mesmo tempo. E, tem dado muito certo, com Ibopes altos. Muitas tramas merecem ser vistas de novo. Valem mesmo a pena. Outras gerações podem assistir. As novelas voltam atualizadas. Acho muito válida a ideia dos remakes”, completa.
Mais um romance na TV
Atualmente, Francisco Cuoco interpreta o empresário Mariano Vilaça em A Vida da Gente. Na trama, ele é pai da tenista Cecília (Polianna Aleixo) e tem um romance com Vitória (Gisele Fróes), treinadora da filha. O ricaço é fanático por esportes e investe pesado na carreira de Cecília, uma jovem determinada a seguir carreira profissional no tênis. O ator que, praticamente, emendou a novela O Astro com A Vida da Gente, diz que está contente com a participação. “A novela é muito bem escrita, tem um elenco maravilhoso. É tão bonito o texto da Lícia Manzo, ele tem uma sensibilidade que faz as pessoas se identificarem. Eu ouço as pessoas falando muito bem da novela. Todos ficam tocados com essa delicadeza”, analisou.
“Sou muito carinhoso e romântico”
Aos 78 anos, Francisco Cuoco não deixa o romantismo de lado. Namorando a estilista Thaís Rodrigues, 53 anos mais nova que o ator, ele demonstra estar apaixonado pela bela. “Sou muito carinhoso e romântico, abro a porta do carro. O amor traz disposição e preenche a vida”, declarou. Quanto à diferença de idade, Cuoco não está nem aí pra ela. “Não percebo muito a diferença. Quando a gente gosta mesmo, todo o resto se torna secundário”, afirmou. No passado, ele foi casado com Virgínia Rodrigues Cuoco, de quem é divorciado e com ela teve três filhos: Tatiana, Rodrigo e Diogo. De temperamento calmo, educado, Francisco Cuoco foi sempre um bom filho, um bom pai, um bom colega e sempre é elogiado por todos.
Francisco Cuoco e a namorada
(Foto: Ag.News)