Texto Núcia Ferreira | Foto Globo / Divulgação | Adaptação Web Evelyn Cristine

No ar na série Justiça, Vladimir Brichta já está envolvido para a próxima novela das 19h

Como está sendo para você participar da série Justiça, um produto tão diferente?
Vladimir Britcha: É muito bom poder estar nesta produção que tem tanta ousadia. O bacana é que a cada dia da semana, o telespectador vê a mesma cena, sempre de um ponto de vista diferente e eu acho que isso ressoa até no próprio exercício de julgar as coisas. Assim é a nossa justiça! O que pra mim é justo e correto, para outra pessoa não é. Acredito que a série reflete que cada um de nós tem uma opinião sobre o que é certo, e essas opiniões são diferentes. O grande trunfo é mostrar exatamente isso e com uma linguagem diferenciada. Estou muito feliz de fazer parte desse projeto.

Seu visual para viver o Celso está bem praiano. Já teve o cabelo claro alguma vez?
Vladimir Britcha: Com esse cabelo, eu me lembrei de minha adolescência. Frequentava muito a praia com os fios tingidos de parafina. O engraçado é que, quando me olho com esse visual, me surpreendo, mas não acho estranho. Usei o cabelo comprido e loiro dos doze aos 20 anos. Estou voltando um pouco ao passado! Meu personagem trabalha na praia, em um quiosque e vende drogas. Minha mãe também teve um quiosque e eu trabalhei com ela lá. Ajudava no local e só não vendia drogas (risos). Então, esse universo praiano é familiar para mim. Não é algo que fica distante.

Em que ponto você distancia esse personagem de suas lembranças da juventude?
Vladimir Britcha: O Celso foi traficante na primeira fase, agora na segunda, é dono de um prostíbulo. É óbvio que esse indivíduo é mesmo um grande marginal e eu precisava compor um cara que não fizesse parte daquela mesma praia que eu frequentava antes. Brincadeiras à parte, é outro universo mesmo, totalmente diferente. Para compor esse personagem, o Chico Accioly (preparador de elenco) me ajudou muito. A participação dele foi importantíssima para isso. Além da direção do José Luiz, que me auxiliou também.

No ar na série Justiça, Vladimir Brichta já está envolvido para a próxima novela das 19h

Você sempre interpretou bons moços. Como é agora viver esse cara totalmente fora da lei?
Vladimir Brichta: Teve um choque, um estranhamento inicial. Mas eu acho bom. Tirei um pouco da simpatia do personagem para dar uma diferenciada, mas é outro gênero. Ele é bem diferente do que era o Armani, em Tapas & Beijos. E ainda é outra linguagem e bastante nova.

Justiça é uma série bem inovadora. Isso pesou na hora de você aceitar o convite?
Vladimir Brichta: Na verdade, esse convite surgiu sem que eu soubesse ao certo que a série era assim tão inovadora e ousada, com essa linguagem diferenciada. Quando fui convidado me empolguei e aceitei na hora, topei de imediato, mesmo. A trama é muito bem elaborada, bem escrita. E é uma pedreira, né? As histórias são realmente pesadas.

A Adriana Esteves, sua esposa, também está na trama. Como é estar num mesmo trabalho com sua mulher depois de tanto tempo?
Vladimir Brichta: Pois é, depois de mais dez anos! Nosso ultimo trabalho juntos foi em Kubanacan (2003) e sem esperar que isso fosse acontecer, virou realidade, estamos no mesmo projeto! É engraçado, quando eu chego em casa e falo das cenas que fiz no dia e ela fala sobre as dela, mas nunca são as mesmas. Ficamos sempre alimentando um pouco o outro. Acho que nunca falamos tanto sobre trabalho como nesses últimos meses.

Você volta à telinha em Rock Story, próxima trama das 19h. Como está se preparando?
Vladimir Brichta: As gravações de Justiça terminaram em junho. Agora faço aula de canto e guitarra. Nessa novela vou viver um roqueiro que começa decadente. Em meio a conflitos, ele descobre um filho, que é talentoso e cria uma boy band para voltar as paradas e competir com o arquirrival, que é o personagem do Rafael Vitti. É legal falar que eu sou o coroa da novela (risos). Tenho 40 anos e, na história, tenho dois filhos jovens. É um encontro de gerações muito bom.

Revista TV Brasil - Ed. 860