Texto Núcia Ferreira | Adaptação Web Evelyn Cristine

No ar na série Nada Será Como Antes, Murilo Benício conta como é atuar com Débora Falabella,
sua mulher na vida real

Como foi compor seu personagem, o Saulo?
MURILO BENÍCIO: Foi algo complexo. A gente está falando da história da televisão, então, li muita coisa, desde Assis Chateaubriand até Boni e Walter Clark. Mas, na realidade, não é uma pessoa, é um pouco de cada um. Antes de começar, a gente conversou muito com o Guel Arraes (o autor), que me disse que várias cenas aconteceram com ele e a obra é um pouco de um histórico pessoal. Tem doses desse espírito da época, da aventura de criar uma coisa que ainda não existia.

O que te chamou mais a atenção na obra e no personagem que interpreta?
MB: Nasci já com a televisão. Não imagino o que é o planeta sem TV, como os jovens não devem imaginar o que é viver sem internet. É incrível imaginar o que foi para aqueles caras conquistarem esse espaço e estrear uma indústria tão gigantesca. O Saulo é costurado de comédia, mas tem romance no meio para não ficar só na coisa engraçada. Mas é hilário como quase tudo dava errado, pois era ao vivo! Muita coisa não saía bem.

No início da trama, O Saulo trabalha com rádio, não é?
MB: Na verdade, ele anda pelo País vendendo rádio. Mas é um visionário que não quer ser só vendedor, quer mesmo é trazer a televisão para o Brasil.

Tem um quê de Silvio Santos em seu personagem?
MB: Tem tudo, mas não do Silvio apresentador, pois ele foi o cara que ficou nos bastidores também, e criou uma televisão. A gente pode dizer até que é uma homenagem a todos esses profissionais. Todos que criaram a Rede Globo, que fizeram aquilo funcionar e virar a potência que é hoje.

Você buscou alguma referência nos atores que fizeram parte daquela época de ouro?
MB: O pai da Débora fez TV ao vivo e era uma referência muito próxima a nós. Osmar Prado (que está no elenco da série) fez também. Havia referências ali tão perto, nem precisamos buscar. Lembro quando fiz novela com o Lima Duarte e ele contava histórias, então, não era algo totalmente estranho.

No ar na série Nada Será Como Antes, Murilo Benício conta como é atuar com Débora Falabella,
sua mulher na vida real

Foi programado o fato de você e a Débora voltarem a atuar juntos na televisão?
MB: Foi pura sorte! Inclusive, ela foi chamada ‘um bilhão’ de anos antes de mim. Na realidade, a série chamava País do Futuro e tinha outra direção e elenco. A Débora foi uma das poucas que ficaram dessa época. Acho que quem faria o meu personagem era o Vladimir Britcha, que saiu do elenco pra fazer Justiça.

Já tem planos para voltar a fazer uma novela?
MB: Eu vou fazer uma novela no início do ano que vem. Será mais uma trama com o Zé (José Luiz Villamarim, que é diretor de Nada Será Como Antes). Mas a história será pequenininha, de uns 80 capítulos.

Desde Geração Brasil você está longe da telinha. Os fãs pediam muito a sua volta?
MB: Pra caramba e isso é uma coisa muito gostosa, sabia? Engraçado como agora percebi as pessoas na rua. É bom sair um pouco para ter sempre esse termômetro. Nunca estive fora da televisão, estava o tempo todo fazendo novela, minissérie ou seriado. Aí, fiquei esse tempo sem fazer nada e todo mundo sentiu falta, perguntando quando voltaria. Isso é gostoso.

A Adriana Esteves já disse que foi reconhecida em Nova York (nos Estados Unidos) por causa da personagem Carminha, em Avenida Brasil. Aconteceu a mesma coisa com o Tufão?
MB: Ela já me contou essa história (risos). Quando estava passando lá, eu e a Débora parávamos em toda a esquina para falar com as pessoas. E não era só o público hispânico que mora nos EUA, até americano assistia a novela. Depois de O Clone foi a vez que eu mais fui assediado fora do Brasil.

Revista TV Brasil - Ed. 861