Texto Núcia Ferreira | Fotos Divulgação / Globo | Adaptação Web Evelyn Cristine

Aracy Balabanian fala de seu trabalho em Sol Nascente

Como você define a doce e cativante Geppina?
Aracy Balabanian: A novela é um resgate do casal mais velho que ainda namora, pois ela é muito amorosa e apaixonada pelo marido, e isso não se fala quase hoje em dia. Parece que, depois que fica velho, não tem vida sexual ativa. Eles têm, e muita! Ela é amada e ama o Gaetano (Francisco Cuoco). Os dois brigam como jovens namorados e têm muitos amigos, principalmente a família japonesa, que também é feita de muito amor.

Seu núcleo tem muito humor. Você gosta da comédia no meio de uma trama?
AB: Vou dizer uma coisa: eu amo brincar! Acho que a nossa profissão é isso mesmo. Nosso trabalho é jogar, brincar em cena e no palco. E é isso que a gente faz na novela, brincar com as emoções, principalmente com emoções positivas. Isso é tão bom e faz um bem danado! Hoje em dia, a gente fala bastante sobre como as pessoas são cruéis e tal, mas nossa profissão tem que mostrar também como as pessoas se amam.

Você também fez uma avó amorosa em Ligações Perigosas, que era uma trama pesada, mas seu papel era ingênuo. Como foi esse trabalho.
AB: Eu não paro de trabalhar, né?! (risos). Na série eu era a nona do personagem do Selton Mello, mas era uma vovó solar. A Consuelo era tia-avó dele. Gostei muito de fazer aquela minissérie, amei o texto, os colegas, tudo. Agora, fazia tempo que eu não 'pegava' algo tão pra cima. Sol Nascente está tratando de uma coisamuito importante para o ser humano, que é a troca. Todo mundo acha que é bobagem a amizade, o amor, o carinho, a generosidade, a família. Essa novela tem um peso muito grande na família, no sentar-se ao redor da mesa nas refeições, todos juntos. É bonito!

Acha que estamos perdendo esses costumes?
AB: Acho que perdemos! A pessoa passa o Natal com a mãe, e o Ano Novo é sem ninguém. Na novela, todo mundo passa junto e se quer bem. Briga, mas depois estão de bem novamente. Assim tem de ser.

No papel de uma 'nona do barulho', Aracy Balabanian fala de seu trabalho em Sol Nascente

Como surgiu o convite para fazer Sol Nascente?
AB: Já estava escalada, mas a produção estava preocupada, pois o meu personagem seria pequeno. Quem faz a direção de dramaturgia na Globo é o Silvio de Abreu, meu grande amigo de mais de 50 anos. Ele é incrível e sabe de mais coisas de mim, do que eu mesma. Ai ele falou dessa novela e comentei que queria fazer algo pequeno, que estava cansada, estou velhinha, né? (risos). Então ele disse assim: ‘não, vai trabalhar, sim e vai ser com o Francisco Cuoco’. Ele insistiu muito. O Walther Negrão é meu amigo de mais de 50 anos também e os dois queriam muito. Não podia dizer não. Pra amigo não se diz não e, que saber? Adorei ter dito sim. Está valendo cada minuto.

Como está sendo contracenar com Francisco Cuoco?
AB: Olha, vou contar um segredinho. Esse era o grande sonho das minhas irmãs mais velhas. Minha família é grande e eu fui a caçula de sete filhos. O sonho delas era que eu fizesse uma novela do Walther Negrão (autor de Sol Nascente) e com o Francisco Cuoco. Até então nunca tinha dado certo. Infelizmente elas morreram, mas tenho certeza que estão muito felizes de, finalmente, eu estar contracenando com o Cuoco. Lá do céu elas estão torcendo muito por mim, sempre!

Com tantos anos de profissão, tem outros atores que você considera bastante?
AB: Tenho vários anjos em minha vida. Hoje, por exemplo (dia da entrevista), é aniversario do Tony Ramos, ele é meu afilhado de casamento. Mandei mensagem para ele pela internet e o Tony me respondeu de imediato. No meio da gravação, com tudo muito corrido, ainda consegui falar com ele. Felizmente tenho vários amigos, graças a Deus! Eu prezo muito isso. Amizade pra mim é fundamental!

Revista TV Brasil - Ed. 865